Um contrato pode estar juridicamente correto e operacionalmente fracassar.
Isso acontece quando as pessoas não conseguem localizar ou entender:
- prazo;
- responsabilidade;
- aceite;
- reajuste;
- penalidade;
- segurança;
- renovação;
- saída;
- canal de escalonamento.
O documento existe, mas a operação depende de:
- e-mails;
- memória;
- reuniões;
- interpretações;
- planilhas;
- pessoas específicas.
Visual Law utiliza elementos visuais para tornar conteúdos jurídicos e fluxos mais claros e compreensíveis.
Na Resolução CNJ nº 347/2020, aplicável à governança das contratações dos órgãos do Poder Judiciário, Visual Law é definido como subárea do Legal Design que utiliza elementos como imagens, infográficos e fluxogramas para tornar o Direito mais claro e compreensível.
A resolução orienta, sempre que possível, o uso de recursos de Visual Law para tornar documentos, dados, análises e fluxos mais claros, usuais e acessíveis.
Essa referência não transforma Visual Law em obrigação universal para todas as empresas privadas.
Ela demonstra a aplicação institucional do conceito em contratações públicas.
Visual Law não é decorar documentos
Adicionar:
- ícones;
- cores;
- desenhos;
- capas;
- ilustrações;
não garante compreensão.
Um documento pode ficar visualmente bonito e continuar:
- longo;
- ambíguo;
- desorganizado;
- inacessível;
- juridicamente impreciso;
- difícil de executar.
O objetivo é melhorar a comunicação e a ação.
Legal Design, Visual Law e linguagem simples
Legal Design
Aplica métodos de design para melhorar serviços, processos, sistemas e experiências jurídicas.
Pode envolver:
- pesquisa;
- jornada;
- protótipo;
- teste;
- processo;
- tecnologia;
- documento.
Visual Law
Utiliza recursos visuais para apoiar entendimento e navegação do conteúdo jurídico.
Linguagem simples
Organiza e escreve a informação para que o público consiga encontrar, compreender e usar o que precisa.
Os três conceitos se complementam.
Visual Law sem linguagem clara pode apenas ilustrar complexidade.
O problema a resolver
Antes de redesenhar, pergunte:
- quem usa o documento?
- em que momento?
- qual decisão precisa tomar?
- que informação procura?
- quais erros ocorrem?
- quais cláusulas geram chamados?
- quais obrigações são esquecidas?
- quais públicos possuem barreiras?
Não comece pelo layout.
Comece pela experiência e pelo risco.
Usuários de um contrato de procurement
- comprador;
- requisitante;
- gestor do contrato;
- jurídico;
- financeiro;
- segurança;
- fornecedor;
- operação;
- auditor;
- executivo.
Cada público procura informações diferentes.
O documento pode usar camadas para servir a todos.
Camadas de informação
Camada 1 — Resumo executivo
- partes;
- objeto;
- valor;
- prazo;
- riscos;
- decisões.
Camada 2 — Quadro operacional
- entregáveis;
- owners;
- SLAs;
- aceite;
- pagamento;
- escalonamento.
Camada 3 — Termos jurídicos completos
- direitos;
- responsabilidades;
- garantias;
- remédios;
- disposições gerais.
Camada 4 — Anexos técnicos
- especificação;
- segurança;
- DPA;
- preços;
- projeto;
- indicadores.
Camadas não significam esconder cláusulas.
Toda informação relevante precisa permanecer acessível e coerente.
Sumário orientado a tarefas
Em vez de apenas:
- disposições preliminares;
- obrigações;
- disposições finais;
considere títulos como:
- o que será entregue;
- quando o contrato começa e termina;
- como medimos o serviço;
- como aprovamos uma mudança;
- o que acontece em um incidente;
- como encerramos a relação.
Títulos orientados à ação ajudam usuários não jurídicos.
Resumo contratual
Um quadro pode mostrar:
| Elemento | Informação |
|---|---|
| Objeto | Serviço contratado |
| Vigência | Data inicial e final |
| Owner do comprador | Nome ou função |
| Owner do fornecedor | Nome ou função |
| Valor | Limite e moeda |
| Reajuste | Índice e data |
| Aceite | Evidência e prazo |
| Pagamento | Condição e documentos |
| Renovação | Regra e antecedência |
| Saída | Aviso e assistência |
O resumo não substitui o contrato.
Ele deve apontar para cláusulas completas.
Fluxogramas
Úteis para explicar:
- aprovação de mudança;
- incidente;
- aceite;
- faturamento;
- disputa;
- renovação;
- escalonamento;
- offboarding.
Um fluxo deve mostrar:
- início;
- decisão;
- responsável;
- prazo;
- resultado.
Evite fluxos tão complexos quanto o texto original.
Linha do tempo
Pode representar:
- mobilização;
- implantação;
- milestones;
- vigência;
- reajuste;
- renovação;
- saída.
Cuidados:
- datas;
- dependências;
- exceções;
- versão;
- coerência com cláusulas.
Matriz de responsabilidades
Use RACI ou tabela operacional.
Exemplo:
| Atividade | Comprador | Fornecedor |
|---|---|---|
| Fornecer dados | R | C |
| Configurar solução | C | R |
| Aprovar aceite | A | R |
| Notificar incidente | I | R |
| Autorizar mudança | A | C |
Defina as siglas e preserve responsabilidades jurídicas.
Ícones
Podem sinalizar:
- atenção;
- prazo;
- dinheiro;
- segurança;
- dados;
- entrega;
- contato.
O ícone nunca deve ser a única forma de comunicar uma obrigação.
Inclua texto.
Cores
Cores podem organizar:
- parte;
- tema;
- severidade;
- etapa;
- status.
Cuidados:
- contraste;
- daltonismo;
- impressão;
- significado cultural;
- excesso;
- consistência.
Não use apenas vermelho e verde para transmitir status.
Tipografia
Boas práticas:
- tamanho legível;
- hierarquia;
- espaço;
- linhas curtas;
- títulos;
- listas;
- alinhamento;
- consistência.
Evite:
- fonte decorativa;
- texto comprimido;
- caixa alta extensa;
- rodapé ilegível;
- contraste baixo.
Linguagem simples
Princípios:
- frases diretas;
- voz ativa quando adequada;
- termos conhecidos;
- exemplos;
- definições;
- ordem lógica;
- parágrafos curtos;
- exceções próximas da regra.
Não substitua termo técnico quando ele é necessário.
Explique-o.
Precisão jurídica
Simplificar não significa:
- remover condição;
- alterar responsabilidade;
- omitir exceção;
- trocar conceito;
- reduzir direito;
- criar promessa.
O jurídico precisa revisar equivalência entre:
- texto;
- quadro;
- ícone;
- fluxo;
- resumo.
Hierarquia normativa
Em caso de conflito entre resumo e cláusula, o contrato pode definir qual prevalece.
O objetivo é evitar conflito, não apenas escolher um vencedor depois.
Use uma única fonte estruturada quando possível.
Visual Law em política de compras
Aplicações:
- árvore de decisão;
- matriz de alçada;
- canais;
- fornecedor único;
- emergência;
- conflito;
- presentes;
- passo a passo;
- exemplos.
Uma política visual pode reduzir dúvidas, mas precisa manter:
- princípios;
- autoridade;
- exceções;
- versão;
- owner.
Visual Law em RFQ
Recursos:
- cronograma;
- checklist;
- mapa de documentos;
- tabela de critérios;
- processo de perguntas;
- decisão;
- lotes.
Não inclua visual que revele estratégia confidencial do comprador.
Visual Law em onboarding
Pode mostrar:
- etapas;
- documentos;
- status;
- owners;
- prazos;
- pendências;
- ativação.
Isso melhora supplier experience.
Visual Law em gestão de contratos
Painéis e cards podem destacar:
- obrigação;
- prazo;
- responsável;
- evidência;
- risco;
- status;
- escalonamento.
O documento jurídico e a gestão operacional precisam permanecer vinculados.
Visual Law no setor público
A Resolução CNJ nº 347/2020 trata Visual Law no plano de comunicação das contratações do Poder Judiciário e associa seu uso à clareza, usabilidade e acessibilidade.
A aplicação deve respeitar:
- legalidade;
- igualdade;
- transparência;
- julgamento objetivo;
- acessibilidade;
- vinculação ao instrumento.
Um edital visual não pode criar informação contraditória ou privilegiar quem acessa determinado recurso.
Acessibilidade
Considere:
- leitores de tela;
- estrutura semântica;
- texto alternativo;
- contraste;
- teclado;
- zoom;
- legendas;
- linguagem;
- versão textual;
- impressão.
Uma imagem com toda a regra pode excluir usuários.
Disponibilize o conteúdo em formato acessível.
Versão mobile
Muitos fornecedores acessam documentos pelo celular.
Teste:
- tabelas;
- fluxos;
- fontes;
- navegação;
- download;
- assinatura;
- anexos.
Um infográfico horizontal pode ficar ilegível.
PDF e HTML
Vantagens:
- estabilidade;
- assinatura;
- distribuição;
- impressão.
Riscos:
- acessibilidade;
- responsividade;
- extração;
- versão.
HTML
Vantagens:
- navegação;
- responsividade;
- atualização;
- acessibilidade.
Riscos:
- alteração;
- preservação;
- assinatura;
- dependência.
A estratégia pode combinar documento assinado e interface operacional.
Vídeo e áudio
Podem explicar:
- fluxo;
- treinamento;
- obrigação;
- contexto.
Não devem substituir o texto oficial quando ele é necessário.
Inclua:
- legenda;
- transcrição;
- versão;
- acessibilidade;
- controle.
Teste com usuários
Métodos:
- entrevista;
- tarefa;
- leitura;
- protótipo;
- teste de compreensão;
- observação;
- questionário;
- comparação A/B.
Perguntas:
- encontrou a cláusula?
- entendeu o prazo?
- sabe quem acionar?
- qual ação tomaria?
- interpretou a exceção?
- o fluxo corresponde ao texto?
Não teste apenas com advogados.
Métricas de compreensão
- tempo para encontrar;
- resposta correta;
- erros;
- chamados;
- retrabalho;
- aceite;
- cumprimento;
- satisfação;
- acessibilidade;
- disputas.
Menor tempo de leitura não é o único objetivo.
Prototipagem
Comece pequeno:
- escolha um documento;
- identifique problemas;
- pesquise usuários;
- redesenhe;
- revise juridicamente;
- teste;
- ajuste;
- publique;
- meça;
- padronize.
Design system jurídico
Pode definir:
- títulos;
- cores;
- ícones;
- tabelas;
- alertas;
- fluxos;
- notas;
- acessibilidade;
- linguagem;
- componentes.
Isso cria consistência e reduz custo.
Templates
Crie templates por:
- contrato;
- política;
- edital;
- resumo;
- playbook;
- notificação;
- plano.
Não use o mesmo visual para todas as finalidades.
Fonte única e automação
Uma arquitetura estruturada pode gerar:
- contrato;
- resumo;
- card;
- obrigação;
- dashboard.
Vantagem:
- reduzir divergência;
- atualizar componentes;
- vincular cláusulas.
Exige:
- modelo de dados;
- governança;
- revisão;
- versionamento.
IA generativa
Pode apoiar:
- resumo;
- reescrita;
- classificação;
- proposta visual;
- teste de leitura;
- extração de obrigação.
Riscos:
- omissão;
- simplificação indevida;
- invenção;
- cláusula contraditória;
- vazamento;
- viés.
O resultado deve ser comparado ao texto-fonte por profissional responsável.
Tradução
Em contratos multilíngues:
- versão oficial;
- prevalência;
- tradução;
- termos;
- glossário;
- revisão.
Visual consistente não garante equivalência linguística.
Governança
Defina:
- owner;
- jurídico;
- design;
- acessibilidade;
- comunicação;
- usuário;
- versão;
- aprovação;
- repositório;
- revisão.
Versionamento
Cada recurso visual precisa estar vinculado à versão do documento.
Se o contrato muda, revise:
- resumo;
- fluxo;
- tabela;
- dashboard;
- treinamento.
Segurança e confidencialidade
Elementos visuais podem expor:
- preços;
- fluxos internos;
- riscos;
- contatos;
- arquitetura;
- alçadas.
Controle acesso e compartilhamento.
Critérios de sucesso
- compreensão;
- execução;
- redução de erro;
- acessibilidade;
- consistência;
- satisfação;
- tempo;
- compliance;
- menor disputa.
Não use "ficou bonito" como critério.
Caso prático: contrato de facilities
O contrato possui 80 páginas e gera dúvidas sobre chamados e aceite.
O projeto:
- entrevista usuários;
- identifica cinco tarefas críticas;
- cria resumo;
- desenha fluxo de chamado;
- cria matriz de SLA;
- mostra escalonamento;
- mantém cláusulas completas;
- testa com gestores e fornecedor;
- corrige ambiguidades;
- mede chamados e cumprimento.
O documento continua juridicamente completo e fica mais operacional.
Erros comuns
- decorar sem pesquisar;
- ícone sem texto;
- cor sem acessibilidade;
- resumo contraditório;
- remover exceção;
- documento visual sem versão;
- testar apenas com jurídico;
- vídeo como única fonte;
- IA sem conferência;
- design sem indicador.
Como a CapturaMe se conecta a esse cenário
A CapturaMe pode apresentar políticas, etapas, obrigações, prazos e responsabilidades em interfaces orientadas à tarefa.
A plataforma também pode vincular resumos e fluxos às cláusulas, aos contratos e aos owners, reduzindo a distância entre documento e execução.
Conclusão
Visual Law em procurement transforma documentos em ferramentas de trabalho.
O valor não está no uso de ícones, mas na capacidade de pessoas encontrarem, entenderem e cumprirem obrigações. Clareza visual, linguagem simples, precisão jurídica e acessibilidade precisam evoluir juntas.
Conheça a CapturaMe para empresas privadas
Perguntas frequentes
Visual Law é apenas colocar imagens?
Não. Ele utiliza elementos visuais para melhorar compreensão dentro de um processo de design.
Visual Law substitui o contrato?
Não. Pode melhorar a apresentação e criar resumos, mantendo o conteúdo jurídico completo.
Linguagem simples elimina termos técnicos?
Não. Termos necessários devem ser explicados, não removidos indiscriminadamente.
Posso usar cores como única indicação?
Não. A informação precisa continuar compreensível para pessoas com diferentes necessidades.
A Resolução CNJ nº 347 vale para empresas privadas?
Ela rege contratações dos órgãos do Poder Judiciário; empresas podem utilizá-la como referência, não como obrigação universal.
Como medir resultado?
Teste compreensão, localização de informação, erros, chamados, execução e acessibilidade.